• por E-primatur
    Fev 06

    Jurgen Ilustrado

    Excertos
    A edição original de «Jurgen», de James Branch Cabell, edição essa ainda anterior ao processo por obscenidade, tinha ilustrações (12) de Ray Frederick Coyle (1885-1924), discípulo americano de Aubrey Beardsley, da sua escola e da sua estética.

    As 12 ilustrações são incluídas no final do texto da nossa edição. Eis alguns exemplos:



    Após o processo mediático, o ilustrador britânico Frank C. Papé, um dos mais notáveis da viragem de século, cria várias ilustrações e gravuras para a edição "liberta". Essas são as ilustrações que acompanham o texto da nossa edição. Alguns exemplos:


    Bom proveito!

  • por E-primatur
    Nov 06

    Últimas Novidades do Ano

    Notícias
    ÚLTIMA OPORTUNIDADE PARA APOIAR EM  Crowdfunding por cerca de 2/3 (ou menos ainda!) do valor que o livro posteriormente terá em livraria e receber em sua casa até dia 14 (inclusivé). Os livros serão enviados pelos CTT durante essa semana. (Clique nas imagens para saber mais sobre as obras ou para apoiar.)




    ÚLTIMA OPORTUNIDADE PARA APOIAR EM  Crowdfunding por cerca de 2/3 (ou menos ainda!) do valor que o livro posteriormente terá em livraria e receber em sua casa até dia 21 (inclusivé). Os livros serão enviados pelos CTT durante essa semana. (Clique nas imagens para saber mais sobre as obras ou para apoiar.)

    Em pré-venda com 20% de desconto até dia 21:


     

  • por Hugo Xavier
    Nov 04

    Contemporânea

    Notícias
    A nossa chancela "irmã", a BookBuilders vai lançar durante o mês de Novembro a sua nova série de literatura dedicada a obras contemporâneas.

    Estou particularmente orgulhoso de informar que vamos publicar dois livros diferentes mas igualmente brilhantes e premiados.

    Por um lado volto a publicar um autor que já tinha publicado na Ulisseia, o Fernando Esteves Pinto, que recebeu há perto de um mês o Prémio Literário Cidade de Almada 2016 pelo seu romance «A Caverna de Deus».



    Trata-se, como acontece com a maior parte da produção literária romanesca do autor, de uma obra que navega as águas profundas e escuras da alma humana mergulhando sempre pelo lado da psicologia nos traumas que nos definem e definem igualmente as "manias" (uso o termo numa acepção técnica da psicologia e sem qualquer carga negativa - como o autor) que nos fazem diferentes uns dos outros.

    Neste romance em particular, FEP mergulha no mundo da criação artística. O Pintor enquanto Criador-Deus e a capacidade que a arte tem de nos obrigar a desnudar a alma quando dela somos objecto são os temas principais.

    Os romances de FEP não deixam os leitores indiferentes e, muitas vezes, incomodam porque não têm peias em falar daquilo que não gostamos de reconhecer em nós mesmos mas essa é uma das funções mais importantes da literatura e da arte e é também por isso que não conseguimos fugir delas: a nossa atracção pelo abismo.

    Numa obra totalmente diferente, Dejan Tiago-Stanković, tradutor literário com quem trabalhei noutros tempos em autores como o prémio Nobel Ivo Andrić ou Dragoslav Mihailović que é igualmente tradutor para servo-croata de Saramago ou Cardoso Pires (entre outros) publicou em 2015 na Sérvia «Estoril - Um Romance de Guerra». Obra que foi finalista de vários prémios literários e que, em 2016, recebeu o Prémio Branko Ćopić da Academia Sérvia das Artes e Ciências, o mais importante prémio de romance no país e que premeia o melhor romance publicado durante o ano anterior.



    Umna obra que retrata o mundo dos exilados da segunda guerra mundial na sua passagem (e por vezes longa estada) em Portugal. Entre uma Lisboa que filtra e controla um mundo obscuro de espionagem e contra-informação por onde se movem personagens incomums como Dusko Popov, o homem que inspirou Ian Fleming (que também é personagem do romance) para o seu James Bond, e o Estoril, Riviera possível numa Europa em convulsões constantes, onde se instalam os muito ricos, imensamente influentes ou incrivelmente afortunados.

    O romance resulta de mais de um ano de investigação em documentos (muitos dos quais reproduzidos no livro) e arquivos. Alguns desses documentos, devido à língua em que tinham sido escritos nunca antes tinham sido interpretados. A trama da obra é, portanto, semi-ficcional: personagens fictícias cruzam-se com a crème de la crème europeia, com Dusko Popov e outros espiões, com loucos como Ian Fleming ou sonhadores como Saint-Exupéy.

    As questões que o livro levanta são muitas. Fala-nos de exílios numa época em que a questão é extremamente pertinente, fala-nos de como é possível "criar" numa época de destruição e sempre de como é possível sonhar. fala-nos também de Portugal nos anos 40.

  • por E-primatur
    Set 10

    Os atrasos e os cossacos

    Notícias
    Caros Leitores, temos de atrasar para o começo de 2017 a publicação de «Tarass bulba, o Cossaco» de Gogol. O motivo é bom contudo: decidimos traduzir não apenas o texto canónico mas também a primeira versão, escrita por Gogol muitos anos antes e que foi censurada pelas autoridades russas por ser demasiado "ucraniana". As diferenças são grandes (a segunda versão tem quase o dobro das páginas da primeira) e ajudam a perceber muito claramente tensões étnicas e políticas da região que levam aos actuais conflitos.

    Seja como for, já temos capa:


    Queríamos ainda explicar um pouco os atrasos que algumas edições têm tido e que vos temos vindo a comunicar. Como sabem, funcionamos num sistema de crowdfunding, o que significa que anunciamos as obras e os seus prazos de publicação com bastante antecedência. Há livros cujo processo de produção já está encaminhado (por exemplo quando somos contactados por tradutores que já têm traduções feitas), outros há em que fazemos estimativas. E quando fazemos estimativas, e porque somos humanos, é sempre possível que haja atrasos.

    Já houve atrasos porque a cartolina das capas esgotou; já houve atrasos porque o tradutor se atrasou; porque a revisão foi mais demorada. Porque, como no caso do livro do Gogol, as próprias características da edição mudaram a meio do processo; ainda recentemente o Dickens («Tempos Difíceis») atrasou-se porque decidimos incluir as ilustrações de Harry French e o prefácio de G. K. Chesterton... Assim e para resumir, a generalidade dos atrasos garantem-vos um melhor livro.

    Claro que não pretendemos sistematizar os atrasos e com cada um vamos aprendendo a corrigir/antecipar situações semelhantes no futuro.

    Ficam pois os votos para que gostem do «Tarass Bulba», esse velho e empenhado cossaco, e de que continuem a construir esta editora connosco.

  • por Hugo Xavier
    Jul 16

    Traduzir o Camarada Tulaev

    Explicação
    Em 2010, quando fui director editorial da Ulisseia no grupo Babel, propus e pus em andamento a tradução de uma obra que ninguém conhecia. Tratava-se de um livro esquecido de um esquecido autor russo no exílio que, na altura, começava a ser redescoberta em vários países europeus. Ainda não tinha aparecido a edição da New York Review of Books Classics. Pouca ou nenhuma informação se encontrava na internet sobre Victor Serge e o seu «Caso do Camarada Tulaev» que, hoje em dia, são um autor e romance de culto da literatura europeia.

    Contactei na altura o tradutor Valdimir Afonin que, como a maior parte das pessoas, não conhecia Victor Serge. Eu pedi-lhe que ele tentasse localizar o original e perceber quantas páginas teria e a dificuldade da tradução.

    Tentar encontrar informação sobre Serge era, como indiquei, complicado na altura. Havia alguma informação geralmente contraditória na internet e algumas edições de micro editoras europeias cujos tamanhos da obra diferiam substancialmente.

    O Valdimir Afonin finalmente percebeu aquilo que hoje sabemos e descobrimos com facilidade: Serge escrevera o seu livro no exílio e em língua francesa. O Valdimir propos então uma redução do valor da tradução - tinha-lhe feito uma proposta para uma tradução do russo que se paga mais cara do que uma tradução do francês  - e ele e a sua molher - Ana Osório - que tinha formação em língua francesa fariam a tradução.

    E assim, no começo de 2011, coincidindo com a edição americana da NYRBClassics cuja introdução e apresentação coube a Susan Sontage, estava pronta a tradução portuguesa. Infelizmente na Babel não houve luz verde para a publicação do livro. Pior do que isso, já na fase final da revisão da tradução, Valdimir Afonin faleceu. No final de 2011 saí da editora.

    Já em 2015, quando comecei a trabalhar no projecto da E-primatur, contactamos a Babel para saber se nos vendiam a tradução mas tal não foi, infelizmente, possível. Queria publicar o livro mas sentia também uma dívida de amizade para com o Vladimir e a Ana Osório.

    Face à situação, contactei o Francisco Silva Pereira que fez um excelente trabalho cujo resultado pode agora ser encontrado nas livrarias mas não queria deixar de prestar a minha homenagem ao Vladimir e agradecer à Ana Osório. Gostaria de ter trabalhado mais com eles.



  • por E-primatur
    Jun 28

    Raríssima gravação da voz de Mário-Henrique Leiria

    Curiosidades
    Graças ao nosso padrinho Nuno Fonseca, temos o prazer de vos trazer uma notável e raríssima gravação da voz de Mário-Henrique Leiria.
     

  • por E-primatur
    Mai 26

    E-primatur e BookBuilders na Feira do Livro de Lisboa

    Notícias
    A E-primatur e a BookBuilders vão estar representadas no stand D20 da Livraria e Editora Letra Livre na 86.ª Feira do Livro de Lisboa.

    Quem tem o Marquês pelas costas, estamos logo ali ao lado direito quem começa a subir a feira. Venha visitar-nos bem como às excelentes editoras que partilham esse stand connosco.

  • por E-primatur
    Abr 28

    Dickens, edição ilustrada

    Boas novas
    Ao contrário da grande maior parte dos livros de Charles Dickens, «Tempos Difíceis» teve poucas edições ilustradas. Depois de ter sido serializado em folhetim (sem ilustrações), a sua primeira publicação em formato de livro apresentava apenas uma ilustração e, na edição posterior, quatro gravuras.

    A edição de 1870 foi a primeira (e uma das poucas) a contar com um programa pensado de ilustração da obra e continha, como tal, 20 gravuras do ilustrador Harry French. Essas serão as ilustraçõers inclusas no volume que publicaremos em breve e que contará, igualmente, com um prefácio de G. K. Chesterton.

    No começo de Abril nas livrarias - aproveite os últimos dias para poder apoiar em crowdfunding e receber o livro por um valor de cerca de 2/3 do que terá posteriormente em livraria.

  • por E-primatur
    Mar 28

    Concurso para ilustração do clássico «Bambi»

    Notícias


    Em Outubro a editora E-primatur vai publicar o clássico que encantou gerações («Bambi: Uma Vida na Floresta») naquela que será a primeira tradução a partir do texto original de Felix Salten feita desde os anos 40 do século XX.

    Decidimos abrir um pequeno concurso para encontrar o ilustrador para esta obra.

    Pretendem-se 10 ou mais ilustrações em preto e branco para o miolo do livro.

    Cada candidato deve enviar duas ilustrações para geral@e-primatur.com (com a indicação "concurso de ilustração" no assunto da mensagem).

    As ilustrações concorrentes serão colocadas, acompanhadas do nome do candidato, na página de Facebook do concurso.

    O concurso encontra-se aberto até 1 de Julho, sendo que os candidatos que concorram deverão estar prontos para, em caso de vitória, ter as restantes ilustrações prontas até 1 de Setembro.

    A vitória será decidida por três votos: 1 voto do público através do Facebook; 1 voto dos editores da E-primatur e 1 voto da directora gráfica da editora.

    O vencedor do concurso receberá 1500€ e terá o seu nome, biografia e sítio de internet (caso pretenda) referidos no livro e no nosso sítio.

    Para mais detalhes consulte a página do concurso no Facebook.


  • por Hugo Xavier
    Mar 10

    BookBuilders

    Anúncios


    Quando a E-primatur nasceu, pensámos sempre que queríamos ir para lá do projecto base. Se a E-primatur era uma editora feita a partir das sugestões dos leitores, padrinhos do projecto e dos seus editores, porque não usar o mecanismo de crowdfunding para abrir as portas a projectos que possam vir de qualquer outra origem? Um complemento de uma editora que partia de um conceito bem claro e definido completado por uma "outra face" que era por excelência caótica e que tivesse por único critério a qualidade.

    Também decidimos imediatamente que só entrariam nessa chancela obras que consideramos que tenham "nível" para tal ainda que não sejam os clássicos ou livros de referência generalistas que publicamos na E-primatur: Para além de edições nossas poderemos abrir a porta a edições de autor, edições de outras editoras ou entidades que queiram, por exemplo, testar o mercado em áreas de edição diferentes das suas habituais. Sejam eles livros para nichos específicos de mercado que a maior parte das editoras ignora ou livros de grande potencial comercial.
     
    Foi assim que surgiu a BookBuilders que está agora a começar e que virá a crescer bastante em breve. Venha conhecê-la no seu sítio em www.bookbuilders.net e adicione a página de Facebook da Bookbuilders em www.facebook.com/bookbuilders.net/

    Inscrevendo-se no sítio da BookBuilders pode apresentar o seu pro jecto. Esse será analisado pela equipe editorial. Caso seja aceite poderemos considerar que:

    a) tendo qualidade é uma obra que não faz sentido na nossa chancela: nesse caso poderá usar o nosso motor de crowdfunding e tentar encontrar o público para a sua obra; neste caso a Bookbuilders poderá ser meramente uma agência de produção para o ajudar a tornar o seu livro uma realidade.

    b) tem qualidade e faz sentido na nossa chancela. Ajudamo-lo a criar a sua obra e a procurar o público que viabilize a obra.

    Não somos nem pretendemos ser uma "vanity press", sinceramente não temos tempo para perder com obras nas quais não acreditamos só pelo dinheiro.

    Seja parte desta editora.


  • por Hugo Xavier
    Mar 08

    Edição do Centenário

    Boas novas
    Em 1928, Fernando Pessoa e João Gaspar Simões (representando a revista presença) trocaram correspondência. Queria aquela publicação levar a cabo a edição das obras de Mário de Sá-Carneiro e convidava para tal Fernando Pessoa (o que, de alguma forma, se constituia quase como um cumprimento testamentário do escritor suicida).

    O plano da obra chegou a ser anunciado nas páginas da revista mas tal edição não viu nunca a luz do dia.

    Em 2016 comemora-se o centenário da morte de Sá-Carneiro e aparecerá pela primeira vez a edição da obra de Mário de Sá-Carneiro como Fernando Pessoa sonhou editá-la.

    Trata-se de uma edição preparada por Vasco Silva com vários anexos e apêndices documentais sobre o autor e a sua obra para além dos planos de obra preparados por Fernando Pessoa. A edição será cartonada (capa dura) e terá perto de 600 páginas; estará no mercado em finais de Março.

    Até lá estará disponível para apoio em Crowdfunding. Relembramos que o valor do apoio é de aproximadamente 2/3 do valor que o livro posteriormente terá em livraria. Reserve já o seu exemplar da edição definitiva como Pessoa a pensou.


  • por E-primatur
    Jan 05

    A maior obra literária portuguesa contra a discriminação

    Boas novas


    Da história de António José da Silva - "o judeu" - cuja vida seria, a partir deste romance de Camilo, tratada por Bernardo Santareno, reza apenas um quarto deste livro que segue os antecedentes familiares do dramaturgo do século XVIII.

    Romance histórico, saga familiar, expoente máximo do romance do romantismo, «O Judeu» é provavelmente a única grande obra da literatura portuguesa, juntamente com a homónima de Santareno (mas muito mais abrangente e panorâmica), a constituir-se como um libelo contra a discriminação.

    Ao mesmo tempo, temos um Camilo brilhante no seu fogo de artifício verbal e contundente no sentido de humor irónico e sarcástico.

    As obras publicadas pela E-primatur só serão possívei com o seu apoio que fazendo uma doação (e recebendo posteriormente o livro por cerca de 2/3 do valor que terá em livraria), quer divulgando junto dos seus amigos que possam ter interesse. Quanto mais divulgar, mais oportunidades haverá para que o livro encontre o "seu comprador" e como no Facebook e nas redes sociais tudo se partilha, porque não partilhar um projecto de qualidade?

  • por Hugo Xavier
    Dez 30

    Melhores leituras de 2015 - escolhas de Hugo Xavier

    Listas

    De regresso à edição, as leituras ficaram mais condicionadas a livros "em estrangeiro". A lista que se segue, na tradição do que faço desde há uns anos, incluí obras que já tinha lido no original e que agora estão publicadas em português, algumas reedições e muito poucos "divertimentos". Como, de costume, também, abstenho-me de falar do que li publicado fora do país, por motivos profissionais.

    Última nota para reiterar que não há qualquer tipo de ordem nas escolhas que se seguem em termos de prioridade.

    - Oblomov, de Ivan Goncharov - Tinta-da-China (eu queria fazer este há anos, em 2013 falei com a Nina Guerra durante um colóquio sobre tradução de línguas eslavas, parabéns TdC, roo-me de inveja - li em inglês, não conheço a tradução)

    - Retrato do Artista quando Jovem Cão e Outras Histórias - Ficção Completa, de Dylan Thomas - Livros do Brasil (li no original, não conheço a tradução)

    - O meteorologista, de Olivier Rolin - Sextante

    - Freya das sete ilhas, de Joseph Conrad - Sistema Solar

    - Obras Escolhidas, vol. 1, de Hélia Correia - Relógio d'Água

    - Editor Contra: Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite, de Pedro Piedade Marques - Montag (uma pedrada no charco)

    - Em Movimento: Uma Vida, de Oliver Sacks - Relógio d'Água (só espero que o Oliver tenha uma arca como a do Pessoa)

    - Música para Água Ardente, de Charles Bukowski - Antígona li no original, não conheço a tradução)

    - Luz nos livros, de António Campos Leal - Tinta-da-China

    - Lila, de Marilynne Robinson - Presença (li no original, não conheço a tradução)

    - O Que Vemos Quando Lemos, de Peter Mendelsund - Elsinore (li no original, não conheço a tradução)

    - Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole - Relógio d'Água (li no original, não conheço a tradução)

    - O Jantar, de Herman Koch - Alfaguara (li em espanhol, não conheço a tradução)

    - Mapa Desenhado Por Um Espião, de Guillermo Cabrera Infante - Quetzal finalmente Cabrera Infante de volta!)

    - A de açor, de Helen MacDonald - Lua de Papel (li no original, não conheço a tradução)

    - A Vida Amorosa de Nathaniel P., de Adelle Waldman - Teorema (li no original, não conheço a tradução)

    - Se isto é uma mulher, de Sarah Helm - Presença (li no original, não conheço a tradução)

    - Pippi Sobe a Bordo, de Astrid Lindgren - Relógio d'Água )li em inglês, não conheço a tradução, espero que seja do original)

    - Eu confesso, de Jaume Cabré - Tinta-da-China

    - Obra escrita 2, de João César Monteiro - Letra Livre

    - O Sol dos Mortos, de Ivan Chmeliov - Relógio d'Água

    - O Outro Lado do Paraíso, de Paul Theroux - Quetzal (li no original, não conheço a tradução)

    - Tudo o que Conta, de James Salter - Livros do Brasil (li no original, não conheço a tradução)

    - Telex de Cuba, de Rachel Kushner - Relógio d'Água (li no original, não conheço a tradução)

    - Esse Cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida - Teorema

    - Por fim, de Edward St Aubyn - Sextante (li no original, não conheço a tradução, o melhor livro da saga é "Leite materno" que apareceu no volume de 2014 "Alguma esperança e Leite materno")

    - O Cheirinho do Amor, de Reinaldo Moraes - Quetzal

    - Contos e novelas I, de Saul Bellow - Relógio d'Água (li no original, não conheço a tradução)

    - Esta Distante Proximidade, de Rebecca Solnit - Quetzal (li no original, não conheço a tradução)

    - Uma história da curiosidade, de Alberto Manguel - Tinta-da-China

    - Da natureza das coisas, de Lucrécio - Relógio d'Água (finalmente em português, não conheço a tradução)

    - Histórias das Terras e dos Lugares Lendários, de Umberto Eco - Gradiva (para rivalizar com o vizinho Manguel, de há uns anos para cá que Eco prometia este livro: as suas obras de ficção estão a tornar-se cada vez mais - não li a última - repositórios de fogo-de-artifício cultural "olhem como sou culto e sei tantas coisas que vós desconheceis", ao menos agora fá-lo-á com propriedade)

    Queria apenas concluir afirmando que 2015 viu uma panóplia de excelentes edições no mercado vindas de diversos quadrantes. Infelizmente, e em muitos casos, catálogos desarrumados, falta de identidade editorial, má comunicação, têm contribuído para que muitos autores e obras passem despercebidos. Publicaram-se bastantes escritores portugueses, talvez percentualmente mais do que nos últimos anos.

    Votos de um 2016 ainda melhor

  • por Pedro Bernardo
    Dez 28

    Melhores leituras de 2015 - escolhas de Pedro Bernardo

    Selecção de Livros

    Repesco uma pequena lista que já deixara no Facebook (e com um acrescento). Por defeito profissional, praticamente só leio ensaio e a pouca ficção que li não me encheu as medidas, em especial Houelllebcq – O Mapa e o Território e Submissão, tendo gostado mais do primeiro do que do segundo –, que me parece um autor sobrevalorizado; mas admito que o defeito possa ser meu. Do que li, os melhores são:

    KL. História dos Campos de Concentração Nazis, de Nikolaus Wachsmann / D. Quixote. Um portento que ficará durante muito tempo como a obra de referência sobre o tema

    Racismos. Das Cruzadas ao Século XX, Francisco Bethencourt / Temas & Debates. Idem. De uma abrangência ímpar, com teses interessantes e bem fundamentadas e repleto de iconografia (pelo menos na edição em língua inglesa, a original; não li a tradução portuguesa nem a folheei).

    Europa. A Luta Pela Supremacia. De 1453 aos nossos Dias, Brendan Simms / Edições 70 (sobre este sou suspeito, pois fui eu que o publiquei na 70).

    Referência ainda a uma obra publicada pela Objectiva: O Ocidente no Divã. Uma Análise do Nazismo na Civilização Ocidental, de Jean-Louis Vullierme. Apesar da entorse ao original, no título (Le Miroir de l'Occident), é um texto interessantíssimo, que vale a pena ler para se perceber que o nazismo não é uma criação ab nihilo e onde Hitler e outros foram buscar influências.
     
    Boas Festas e Boas Leituras

  • por João Reis
    Dez 27

    Melhoras leituras de 2015 - escolhas de João Reis

    Por esta altura, é frequente pedirem-me uma lista de melhores livros do ano. No entanto, não li/leio suficientes livros editados em Portugal no ano corrente para apresentar uma lista minimamente abrangente, mesmo que considere que as listas nunca o são, por resultarem dos gostos pessoais de quem as faz e das circunstâncias que nos levam a ler estes e não aqueles livros, deixando por ler muitos que poderíamos, talvez, preferir. Servem, contudo, para dar a conhecer alguns livros que nos poderiam passar ao lado. 
    Isto dito, apresento uma lista dos livros que mais gostei de ler em 2015; podem não ser os melhores - há quem não aprecie aquilo que acho genial, e amiúde me parece que o que acham fantástico pouco mais é do que lixo -, mas são aqueles que mais gostei de ler, sem que me limitasse a livros editados este ano (poucos são aqueles editados em 2015). 
     
    Sem nenhuma ordem específica, e na língua/ edição em que os li: 

    - The Guinea Pigs, Ludvik Vakulik
    - To Hell with Cronje, Ingrid Winterbach
    - This Way for the Gas, Ladies and Gentlemen, Tadeusz Borowski 
    - Panzram: A Journal of Murder, Carl Panzram
    - Collected Short Stories, 2, W. Somerset Maugham 
    - Uma Vida à Sua Frente, Romain Gary 
    - The Celebration, Ivan Ângelo
    - Kokoro, Natsume Soseki 
    - Uma gata, um homem e duas mulheres, Junichiro Tanizaki 
    - Christina, the Girl King, Michel Marc Bouchard 
    - Kyoto, Yasunari Kawabata 
    - Frygtelig Lykkelig, Erling Jepsen 
    - A Papisa Joana, Emmanuel Rhoides 
    - Hamlet tinha um Tio, James Branch Cabell

    Quanto a estes dois, sou suspeito, porque os traduzi:
    - O Salão Vermelho, August Strindberg
    - O Tempo de sua Graça, Eyvind Johnson 


  • por E-primatur
    Nov 28
  • por E-primatur
    Nov 27

    Publicar Hitler

    tergiversações


    Chegará muito em breve às livrarias uma nova edição de Mein Kampf/A Minha Luta, de Adolf Hitler. Desde 1945 que qualquer edição da obra está proibida. O estado da Baviera, que ficou titular dos direitos de autor, sempre se opôs a qualquer reedição do texto, argumento que seria compreensível à época, considerando o conteúdo da obra e, acima de tudo, a concretização abominável de muito do que o autor nela expusera, já em 1923.

    No entanto, com o passar dos anos esse argumento foi deixando de fazer sentido, pois apenas contribuiu para que o texto circulasse clandestinamente, em versões quiçá truncadas, e adquirisse uma aura imerecida junto das franjas extremistas de direita. Estamos em crer que esta clandestinidade não contribui para o esclarecimento do público, pelo contrário.

    A edição agora publicada retoma a versão editada pela Afrodite em 1976, agora devidamente revista e cotejada com o original, e visa colmatar essa lacuna e trazer o texto para o único plano em que, no nosso entender, ele deve ser hoje lido, como documento histórico, e não ideológico. Se a filosofia editorial da E-primatur passa por publicar obras marcantes, Mein Kampf insere-se certamente nesta categoria.

    Dentro do programa editorial da E-primatur, e por oposição, poderá o leitor encontrar Os Mutilados de Hermann Ungar, o romance que encabeçava a lista de livros a destruir pelos nazis ou Bambi, de Felix Salten, um dos ódios de estimação literários de Hitler.

    O prefácio de António Costa Pinto, autor e académico que estudou e bem conhece os meandros da ideologia fascista, visa ajudar o leitor contextualizando a obra.
     
    Os Editores



  • por Hugo Xavier
    Nov 23

    Arrumar Vilhena

    tergiversações

    No seu famoso «O nome da Rosa», Umberto Eco abordava a questão da comédia enquanto género mais do que maldito, amaldiçoado. A parte da «Poética» de Aristóteles que versava o género perdeu-se e com ela o lugar da comédia entre as artes literárias.

    Ainda hoje a comédia figura entre os géneros menores, do cinema ao teatro. Também o humor na literatura tem dificuldade em arrumar-se entre as estantes da literatura sobretudo no que toca à literatura portuguesa de onde, na realidade, desapareceu no começo do século XX com o desaparecimento de escritores como Eduardo Brun, Gervásio Lobato, António Ferreira, Albino Forjaz de Sampaio, Eduardo Schwalbach, algumas coisas de Augusto Costa e alguns outros. Eça talvez tenha sido o último «grande» e Camilo tinha um humor demasiado subtil e que era perceptível para os muito poucos capazes de perceber como ele brincava (e como brincava!) com os géneros e estereótipos literários da sua época.

    Ainda assim, quase todos esses autores eram escritores "sérios" que, por vezes, tocavam o humor. A comédia na literatura é coisa menor e - espante-se - fácil. Pelo menos para a crítica e a academia. Isso compreende-se, é claro, desdenha quem não consegue comprar. E ninguém espera um crítico ou um académico de bom humor. Seria algo tão baixo e fácil como um comediante.

    Os grandes grupos livreiros pedem-nos para categorizarmos Vilhena para que saibam em que estante o arrumar. Como é possível fazê-lo? Humor? Vilhena está para lá do humor. Ficção? (mas é tão real...) Banda desenhada/cartoon? (a FNAC arrumou-o na Banda desenhada) Crítica social? (ora aí está uma categoria em falta.) Livro ilustrado? (certamente mas fica um livrinho de bolso esmagado entre álbuns de grande mérito artístico e, sobriamente "sérios".)

    Vilhena foi tudo isto e muito mais. A categoria menos «limitativa» seria "Literatura Portuguesa" mas é difícil que o aceitem lá. Afinal aquilo é humor e desenhos de mulheres voluptuosas...

    Se Gil Vicente vivesse hoje seria arrumadinho na pequena estante do Teatro e de lá não sairia. Esta é a maldição da comédia: arrancada, na noite dos tempos, da segunda parte da «Poética» de Aristóteles e, como tal, do cânone da literatura ocidental.

  • por E-primatur
    Out 24

    O Salão Vermelho de August Strindberg ou de como, daqui a um século, ainda podemos chegar a ser a Suécia deste mundo...

    Excertos

    «A situação política
    torna-se cada vez mais interessante. Todos os partidos se subornaram com presentes e contra-presentes até todos eles se terem transformado numa indistinguível massa parda. Tudo isto acabará provavelmente no socialismo. Fala-se muito em aumentar o número de províncias para quarenta e oito e considera-se agora que uma carreira ministerial é o caminho mais rápido para a promoção, sobretudo por nem sequer exigir um exame de professor da escola básica. No outro dia, estava a falar com um dos meus antigos colegas de escola (já é um ex-ministro), que afirma que é muito mais fácil do que ser Secretário Assistente. As funções parecem ser mais ou menos as mesmas que cumprem a um fiador – apenas uma questão de assinar por baixo! E não há preocupações em relação aos pagamentos porque se tem sempre subfiadores.» (tradução do original sueco por João Reis)

  • por E-primatur
    Out 23

    Uma prenda de Natal

    Boas novas
    Quando encontramos os textos e fotografias inéditos do Bernardo Santareno percebemos que o tempo não chegava para preparar a edição fazendo tratamento dos materiais inéditos a tempo de se lançar o livro ainda este ano.

    Ao conversarmos com o Vasco Silva, nosso Amigo e Padrinho do projecto E-primatur, contámos o que tinha acontecido e surgiu uma sugestão que estava pronta na sua cabeça: uma antologia de Fernando Pessoa. Vindo de quem vinha, não hesitamos.

    Como aconteceu com o livro do Vilhena e dado o prazo escasso, este projecto não passará pelo crowdpublishing, entrando directamente em pré-venda.


  • por E-primatur
    Out 13

    «Nos Mares do Fim do Mundo» de Bernardo Santareno

    Notícias
    Em 1957 e em 1958, Bernardo Santareno embarcou como médico de bordo na frota bacalhoeira portuguesa que se dirigia todos os anos para a Terra Nova e Gronelândia. Em blocos de notas, o jovem autor traçou pequenos quadros narrativos que realçavam o elemento humano rodeado pela mais austera natureza. Entre a linguagem poética, a reflexão e a narrativa, estes pequenos textos são um dos documentos mais admiráveis de uma realidade muito nossa ao mesmo tempo que uma obra literária assombrosa.

    Tínhamos previsto a publicação deste título ainda este ano mas tivemos de o passar para Fevereiro de 2016 pelo melhor dos motivos: enquanto analisávamos os blocos de notas nos quais Bernardo Santareno escrevera os textos que compõem este volume, encontrámos dois textos inéditos. Para além disso foram também encontradas mais de uma dezena de fotografias que não tinham sido incluídas nas edições anteriores do livro.

    Precisamos de algum tempo para trabalhar esses materiais.

    Por outro lado e através das redes sociais tínhamos desafiado os leitores a escolher entre duas capas:


    A capa vencedora foi a da esquerda mas houver muitos a votarem na da direita.

    Tomamos pois uma decisão: a edição que vai para livraria é a capa da esquerda mas, comprando pelo nosso sítio o leitor poderá escolher a edição com a capa da direita (da qual faremos uma tiragem menor) enviando-nos um e-mail após apoiar.

    Em breve daremos mais informações sobre os materiais inéditos.

  • por E-primatur
    Out 04

    A melhor homenagem a um autor que se vai é dar-lhe uma voz que fica

    Homenagem


    Nas livrarias em começos de Novembro.

    Trata-se de uma edição fac-similada que reúne os 3 volumes publicados pelo autor nesta série (Pré-História, O Egipto e Os Judeus). Optou-se pelo fac-simile para garantir a relação entre imagem e texto, tão importante nas obras de José Vilhena. Deu-se apenas um ligeiro tratamento para evitar que algumas intrusivas marcas tipográficas e do tempo perturbassem o prazer da leitura.

    A edição será cartonada reproduzindo nas guardas as capas a cores das edições originais. O papel do miolo é o papel reciclado cyclus que garante não apenas a opacidade preservando, dessa forma, texto e imagens, mas também porque se aproxima da tonalidade original.

    São mais de 450 paginas de saber enciclopédico sobre a pulhice humana!

    Com este volume damos início à publicação das obras do autor que inomodou e certamente incomoda muita gente mas divertiu e divertirá muitos mais.

  • por Hugo Xavier
    Set 29

    Obras de Bernardo Santareno na E-primatur

    Boas novas

    Depois de anos na mítica editora Ática, a E-primatur assume a edição das obras de Santareno, para muitos (nós incluidos) o maior dramaturgo português do século passado.

    De Bernardo Santareno (1920-1980) publicaremos ainda este ano «Nos Mares do Fim do Mundo», um dos poucos textos em prosa do autor, constituido pelos cadernos de notas e por fotografias tiradas pelo autor ao longo dos 12 meses que passou num navio da frota de pesca bacalheira portuguesa na Terra Nova.

    Trata-se não apenas de um documento imprescindível para a nossa história social, cultural e industrial mas também de um texto de grande beleza que aponta pistas muito claras para a descodificação da obra e escrita do autor.

    O objectivo continuado da publicação das obras de Santareno é precisamente o torná-las de novo disponíveis no mercado. Acreditamos que há público suficiente para, através do mecanismo de crowdpublishing do projecto E-primatur, manter a obra sempre viva e disponível. Sabemos que não é um best-seller mas é intolerável para nós que isso constitua argumento para a sua não publicação.

    Acreditamos que o mercado dará voz a Bernardo Santareno.

    Para o ano temos prevista a publicação da peça «Inferno», uma das mais importantes do autor e que está esgotada há mais de 30 anos.

  • por E-primatur
    Set 28

    Acabadinhos de fazer

    Boas novas

    Chegaram da gráfica os primeiros. No final da semana chegam todos e na próxima semana estão nos correios. É a última oportunidade para comprar em regime de crowdfunding por cerca de 2/3 do valor que o livro terá posteriormente. Só até Domingo!



  • por E-primatur
    Set 14

    Um esclarecimento

    E-primatur funcionamento

    Alguns leitores têm vindo a escrever-nos perguntando o que acontece se um livro cuja publicação anunciada está para breve não atingir o número necessário de doações.

    A maior parte dos livros que temos anunciados para publicação está coberta por investimento nosso.

    Sabíamos que demora tempo a implantar um sistema inovador como este e temos, portanto, uma verba acautelada.
     
    Hoje, por exemplo, estamos a rever a capa e a dar uma última vista de olhos ao miolo de «Os Mutilados», de Hermann Ungar, que vai entrar em gráfica e estará, em breve, disponível nas livrarias. Isto significa, por conseguinte, que as próximas semana e meia serão a última oportunidade para poder fazer uma doação e garantir o livro na sua caixa de correio sem quaisquer outros custos e por um valor inferior ao do preço de mercado.

    Obviamente, quanto mais doações recebermos que cubram o máximo de custos de edição de cada livro, mais livros poderemos vir a fazer no futuro.

    Aproveitem e/ou passem a palavra; neste projecto, os leitores são os arautos e esse é o melhor apoio que nos podem dar: a divulgação.

    Se casa leitor satisfeito trouxer dois amigos que ou passem a palavra a outros amigos ou façam doações muito rapidamente este projecto poder tornar-se auto-suficiente e crescer publicando mais livros.


  • por João Reis
    Set 10

    Traduzir Strindberg em tons de vermelho

    Labor Editorial

    O tradutor vasculha nos seus papéis, procura, encontra, lê e relê, confirma. Será possível? As muitas horas à secretária tê-lo-ão prejudicado, a má postura terá afectado o bom funcionamento do encéfalo? Ninguém o sabe! Ah, aquilo que a ciência desconhece ainda! Mas, de facto, está lá escrito 1879. Sim, foi esse o ano da primeira edição, e nenhuns óculos, lupa ou microscópio alterarão esse facto.1879! Ora, mas isso foi no tempo dos afonsinhos, em mil oitocentos e troca o passo, uma daquelas épocas de daguerreótipos, sépia, carroças e juntas de bois nas ruas da cidade. E em Estocolmo? Sim, sem dúvida!

    O espanto do tradutor aumenta, pergunta-se como será possível, tudo isto é bizarro mas, com o diabo, não foi ele quem sugeriu a publicação do livro? Com que se espanta o idiota, se já conhecia o livro? Estará a perder capacidades, o seu cérebro mirra? É bem possível, e a ciência nem tudo sabe, mas o que todos podem saber é que O Salão Vermelho, a obra que tornou famoso August Strindberg – nome incontornável da literatura sueca e mundial –, foi publicado em 1879. Ora, e qual o motivo de tanto espanto quando tínhamos já a Bíblia, a Ilíada e a Odisseia? Bem, bem, a admiração não se deverá ao ano de publicação, pois os monges copistas eram já uma relíquia do passado, uma classe extinta, e não era assim tão difícil imprimir um livro, mas o conteúdo do livro, esse, é algo que pode e deve ser admirado. Porquê? É muito simples: um grande escritor – um verdadeiro escritor – é aquele que, em vez de se preocupar com jogos de palavras, trocadilhos, virtuosismos linguísticos, roupa a secar em estendais ou lirismos bacocos, tem a capacidade de observar e descrever aquilo que permanece inalterado e, em última instância, serve de fundamento a uma obra imortal: a relação do homem consigo, com os outros, com o mundo. Isso não mudou, e por mais que a tecnologia separe 1879 de 2015, o homem é o mesmo.

    Pessoas invejosas, mesquinhas, corrupção, mentiras, compadrios, obscuras práticas empresariais, a contínua luta do indivíduo íntegro contra um sistema que apodrece por dentro? Sim, está lá tudo, como constata Arvid Falk, o aspirante a escritor que se demite de uma função pública corrupta e incompetente para encontrar uma situação pouco diferente na área editorial e no jornalismo em que, por necessidade, tem de trabalhar. Escritores, pintores, escultores, actores, artistas em geral? Ah, sim, também esses rodeiam Falk, e também eles passam fome, também eles têm de engolir o orgulho, sorrir, calar-se, dar palmadinhas nas costas, vender-se (é, ou não, a mais velha profissão do mundo?) para subir a estreita escada do sucesso. Alguns conseguem-no, outros não.

    A verdade é que não mudamos, o mundo é sempre o mesmo, e o tradutor e editor pensa como é estranho que em Portugal nunca se tenha publicado a ironia de Strindberg n’ O Salão Vermelho, como nunca se deu aos leitores a oportunidade de conhecer todas aquelas personagens que lhe proporcionam divertidas horas de tradução, como é possível que tal obra tenha, até hoje, permanecido inédita no nosso país.

    A resposta, contudo, talvez não seja muito difícil de encontrar: ver o nosso reflexo num espelho nem sempre é fácil. Mas há que fazê-lo, ou corremos o risco de sairmos à rua com a cara suja. Eis a oportunidade. 

  • por Hugo Xavier
    Set 08

    A economia de editar livros

    O mundo dos livros

    (fotografia de Wayne Wilson-Wong)

    Quando a E-primatur foi pensada, foi-o por contraponto a um estado de situação no mercado da edição. Não apenas nós, editores, conhecemos o nosso meio e sabemos qual a lógica de funcionamento das editoras e grupos editoriais como somos igualmente leitores e compramos livros e temos amigos que são grandes leitores. Esta conjugação permite ao mesmo tempo analisar o interior e o exterior do negócio da edição.

    Sim, porque a edição, como qualquer actividade, tem a sua economia. Só um puritanismo inocente e desligado do mundo é que não percebe que para se fazer o livro seguinte, a seguinte peça de teatro, o filme, a música, é preciso que o anterior tenha resultado razoavelmente. A alternativa é não se viver do que se faz na actividade de produção cultural. A outra alternativa é a possibilitada pelo sistema que seguimos utilizando o crowdpublishing.

    A natureza do negócio da edição, mais do que qualquer outro factor, define, na maior parte das vezes, que autores entram no cânone (a lista de autores e obras consagrados de uma determinada literatura). Muito mais que a academia, a crítica ou sequer a vontade do leitor (que pode um leitor contra o "Está esgotado"?), é a actividade da edição que define o que entra e sai do cânone. Mesmo num país como o nosso em que a academia nunca se interessou por estabelecer um cânone e deixou uma tal tarefa aos professores que definem os programas dos diversos graus de ensino escolar (ou talvez precisamente por isso) os exemplos são fartos: Bernardo Santareno sai do programa escolar como dramaturgo maior das letras portuguesas para ser substituído por um autor que não desmerece mas não está à altura do cargo laureado contudo pertence ao catálogo de um dos maiores grupos editoriais nacionais. É apenas um exemplo, outros há e muitos como o da autora, uma das maiores do século XX, que sai dos programas escolares porque a editora que a publicava foi comprada e a direcção da nova editora optou apenas por publicar edições de qualidade superior com preços proibitivos para a maior parte das famílias.

    A quem quiser perceber como funcionam estas coisas, recomendo vivamente um livro de André Schiffrin, filho de Jacques Schiffrin, o criador da casa editorial e conceito das éditions de la Pléiade. André, criado nos Estados Unidos após a fuga dos seus pais para aquele país, veio a tornar-se um dos maiores editores do seu país de adopção e um dos poucos a pensar de forma séria os modelos e caminhos da edição. André Schiffrin escreveu o já mítico «O negócio dos livros; Como os grandes grupos económicos decidem o que lemos» publicado entre nós pela livraria editora independente Letra Livre.

    E que não se pense que este é o típico discurso da teoria da conspiração de David contra Golias. É um retrato da situação da economia das indústrias culturais que vale para a área do livro como para quase qualquer outra. Ontem mesmo, num ensaio apocalíptico, a escritora Fiona O'Connor descrevia a situação actual nas páginas do Irish Times.

    André Schiffrin acreditava ter encontrado a solução ideal para a New Press que tinha criado depois de sair de um grande grupo editorial e na qual trabalhou até à sua morte há dois anos. Nós acreditamos ter encontrado a nossa (que, aqui para nós, até é melhor porque está mais próxima do leitor).

  • por Hugo Xavier
    Set 01

    Cartas Persas

    Anúncios

    A Editora Tinta-da-China, na sua excelente colecção de viagens, anunciou a edição do livro CARTAS PERSAS de Montesquieu, obra que também fazia parte do nosso catálogo.

    O objectivo da E-primatur é a publicação de obras que estão em falta no mercado editorial português, pelo que retiraremos este título do nosso catálogo e, dentro de dias, anunciaremos o seu substituto.

    Parabéns pela iniciativa, Tinta-da-China.

  • por Hugo Xavier
    Ago 28

    A astronómica lista dos 100 melhores romances escritos em língua portuguesa

    Listas

    Recentemente Robert McCrum foi convidado pelo jornal The Guardian para elaborar a sua lista dos 100 melhores romances escritos em língua inglesa. Numa literatura tão rica e cujo universo geopolítico é tão abrangente como o da língua ingles, a lista gerou polémicas e grande discussão.

    E nós por cá?

    Quero deixar o desafio:

    Quais são os 100 romances da literatura de língua portuguesa na vossa opinião?


    A página do Facebook da E-primatur está aberta à colaboração de todos, seja para listas inteiras, seja para sugestões individuais. Ah e nada de batotas: são mesmo romances, nada de novelas ou contos. Esses ficam para outra lista.

    PARA VOTAR: https://epoll.me/vote/ACjN2kOfW1g/quais-os-100-melhores-romances-nao-sao-contos-novelas-ou-outros-escritos-em-lingua-portuguesa-acrescentem-opcoes-e-ou-votem?fb_ref=Default

    Recomendo que cada um faça a sua lista dos romances que ache representativos da língua portuguesa. Não sei se vão chegar aos 100, eu cheguei aos 85 com dificuldade.

    Depois vão ao sítio acima indicado e votem. Podem também acrescentar títulos que lá não se encontrem.

    Visitem regularmente a votação para verem os resultados pois alguém pode ter acrescentado um romance do qual se tenham esquecido.

    A minha lista (que, como todas as listas pessoais, está sujeita ao que li e ao que gosto):
    1. - Húmus, de Raul Brandão
    2. - A Noite e o Riso, de Nuno Bragança
    3. - Carlota Ângela, de Camilo Castelo Branco
    4. - A Queda dum Anjo, de Camilo Castelo Branco
    5. - Zero, de Ignácio de Loyola Brandão
    6. - A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
    7. - Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio
    8. - O Conde de Abranhos, de Eça de Queirós
    9. - As Personagens, de Ana Teresa Pereira
    10. - O Movimento Pendular, de Alberto Mussa
    11. - Todos os nomes, de José Saramago
    12. - Macunaíma, de Mário de Andrade
    13. - Não Verás País Nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão
    14. - O Paraíso é Bem Bacana, de André Sant'Anna
    15. - As Naus, de António Lobo Antunes
    16. - Adoecer, de Hélia Correia
    17. - Se Eu Fechar Os Olhos Agora, de Edney Silvestre
    18. - Aparição, de Virgílio Ferreira
    19. - O Amor é Fodido, de Miguel Esteves Cardoso
    20. - Capitães de Areia, de Jorge Amado
    21. - Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano
    22. - O Eleito do Sol, de Arménio Vieira
    23. - A Casa dos Budas Ditosos, de João Ubaldo Ribeiro
    24. - O Memorial do Convento, de José Saramago
    25. - Sou Toda Sua Meu Guapo Cavaleiro, de Alexandre Pinheiro Torres
    26. - O Que Diz Molero, de Diniz Machado
    27. - Opisanie Świata, de Veronica Stigger
    28. - Sinais de Fogo, de Jorge de Sena
    29. - O Dia Cinzento, de Mário Dionísio
    30. - Memórias Laurentinas, de Agustina Bessa-Luís
    31. - A Sibila, de Agustina Bessa-Luís
    32. - A Sucessora, de Carolina Nabuco
    33. - Davam Grandes Passeios aos Domingos..., de José Régio
    34. - Bolor, de Augusto Abelaira
    35. - Nove Noites, de Bernardo Carvalho
    36. - O Bosque Harmonioso, de Augusto Abelaira
    37. - Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira
    38. - Voltar Atrás Para Quê?, de Irene Lisboa
    39. - Nova Sapho, de Visconde de Villa-Moura
    40. - Balada da Praia dos Cães, de José Cardoso Pires
    41. - Heliogabalus, de Luís Alves da Costa
    42. - A Chave de Casa, de Tatiana Salem Levy
    43. - O Barão de Lavos, de Abel Botelho
    44. - Cómicos, de Antero de Figueiredo
    45. - Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz
    46. - Novas do Achamento do Inferno, de Fernando José Rodrigues
    47. - Jogo da Cabra-Cega, de José Régio
    48. - A Casa Velha, de José Régio
    49. - Manual da Paixão Solitária, de Moacyr Scliar
    50. - Natureza Morta, de Paulo José Miranda
    51. - Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira
    52. - Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
    53. - Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto
    54. - A Polaquinha, de Dalton Trevisan
    55. - Os Espiões, de Luiz Fernando Veríssimo
    56. - Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro
    57. - As Meninas, de Lygia Fagundes Telles
    58. - O Mez da Grippe, de Valencio Xavier (não sei se conta como romance)
    59. - A Chuva Imóvel, de Campos de Carvalho
    60. - A Viúva Simões, de Júlia Lopes de Almeida
    61. - Os Armários Vazios, de Maria Judite de Carvalho
    62. - Crónica de uma Casa Assassinada, de Lúcio Cardoso
    63. - Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida
    64. - Sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro
    65. - Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino
    66. - O Drible, de Sérgio Rodrigues
    67. - A Casa Grande de Romarigães, de Aquilino Ribeiro
    68. - O Ateneu, de Raul Pompéia
    69. - O Dia em que Matei Meu Pai, de Mário Sabino
    70. - O Coronel e o Lobisomem, de José Cândido de Carvalho
    71. - Breviário das Más Inclinações, de José Riço Direitinho
    72. - Os ratos, de Dyonélio Machado
    73. - Senhora, de José de Alencar
    74. - A Paixão Segundo G. H., de Clarice Lispector
    75. - Mário, de Silva Gaio
    76. - Janika, O Livro da Noite e do Dia, de Vitório Kali
    77. - O Prato de Arroz Doce, de Teixeira de Vasconcelos
    78. - Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado
    79. - O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, de Germano de Almeida
    80.  - Mazagran, de J. Rentes de Carvalho
    81.  - Madrugada na Tua Alma, de Gabriel Magalhães
    82.  - Deixem passar o homem invisível, de Rui Cardoso Martins
    83.  - Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares
    84.  - Materna Doçura, de Possidónio Cachapa
    85.  - Angústia Para o Jantar, de Luís Sttau Monteiro [lembrado pelo Nuno Fonseca]
    86.  - Elói: ou Romance numa cabeça, de João Gaspar Simões

    O "Húmus" é o único que tem lugar cativo no topo da lista, a restante ordem deve-se à ordem pela qual os fui tirando das prateleiras.

    Quais são os vossos?

  • por E-primatur
    Ago 24

    Os fantasmas de Franz Polzer

    Excertos


    « [...] A tudo isto se somou um certo acontecimento que só pode ser mencionado com toda a reserva. Polzer tinha então catorze anos e uma fértil imaginação juvenil instilada pelo ódio. Das relações entre homem e mulher não tinha outra ideia a não ser que eram algo horrendo e, por si só, repugnante. O mero imaginar de um corpo de mulher nu provocava-lhe asco. Um dia, entrara no quarto da tia quando ela se estava a lavar. A imagem do seu peito ressequido, de carnes flácidas dependuradas, ficou de tal maneira gravada que jamais conseguiu esquecer. Certa noite, estava ele no escuro corredor na parte de trás da loja, o armário do pão aberto, quando viu a porta do quarto da tia a abrir-se. Encostou-se todo contra à parede. Pela fresta iluminada da porta surgiu o seu pai em roupa de dormir. Atrás dele vislumbrou por momentos, como uma sombra, a figura da irmã do pai. A tia trancou a porta pelo lado de dentro.

    O pai passou muito perto dele. A sua camisa estava aberta e Polzer, apesar do escuro, achou ter conseguido ver o seu peito peludo. Por um instante, sentiu o cheiro de pão acabado de cozer, que estava entranhado no pai por este estar sempre na loja. Polzer susteve a respiração e manteve-se imóvel, mesmo depois da porta do quarto do pai se ter fechado atrás dele há algum tempo.

    Este acontecimento despertou em Franz Polzer sensações que trariam algumas das mais duradouras consequências para a sua vida futura. Apesar de ter vislumbrado apenas a sombra da tia, convencera-se de que esta estava nua. Desde então, era perseguido por imagens de situações que certamente ocorreriam durante a noite entre o pai e a irmã do pai. Polzer não tinha mais nada para as sustentar a não ser este único acontecimento nocturno. E depois disso não acontecera nada mais que também pudesse confirmar essa sua presunção.

    Desde então, Polzer passava as suas noites até quase de manhã sem pregar olho. Ficava à escuta. Parecia-lhe ouvir portas a ranger e passos cautelosos sobre o chão carcomido da velha casa. Despertava de um leve dormitar convencido de que havia ouvido um grito abafado. Sentia-se repleto de um asco amargo. Mas a curiosidade impelia-o a esgueirar-se, noites dentro, para junto da porta da tia. Nunca lograra ouvir outra coisa que a respiração dela.

    O pai sovava Franz Polzer com frequência, e a tia segurava-o. Quando nas noites em que havia sonhado com ele e sentido um medo infindável por o ter visto no sonho, com as suas roupas sujas, a sua cara vermelha e embrutecida, a tia por detrás, instando-o a torturá-lo e a sová-lo ainda mais, nos dias seguintes, quando o encarava, queria ser sovado de novo. Parecia-lhe que tinha que tornar tudo real, também o seu ódio pelo pai, como se este o houvesse mesmo esmurrado nas costas. Nessas alturas sentia-se crescido, era isso que sentia, mas mais fraco, muito mais fraco que qualquer um.»

    Excerto de "Os mutilados" de Hermann Ungar

  • por E-primatur
    Ago 22

    Strindberg escreve sobre como se fazia o sucesso de um autor no seu tempo

    Excertos

    «Arvid Falk começaria por se aproximar do poderoso Smith – este último adoptara tal nome devido a uma excessiva admiração por tudo o que fosse americano adquirida, na sua juventude, numa curta visita a esse grande país –, uma temida figura com mil tentáculos, que era capaz de criar um autor em doze meses, mesmo quando muito mau. O seu método era bem conhecido, mas ninguém ousava empregá-lo, pois exigia um descaramento sem precedentes. Qualquer autor sob a sua protecção tornava-se, inexoravelmente, conhecido e, por isso, Smith via-se rodeado de autores ainda desconhecidos. O seguinte caso ilustra o seu modo irresistível de promoção de pessoas apesar da opinião do público e dos críticos. Um jovem, que nunca escrevera nada antes, escreveu um mau romance, que, em seguida, apresentou a Smith.
    O último gostou, por acaso, do primeiro capítulo – nunca lê mais do que isso – e decide que o mundo deveria ter um novo autor. O livro surgiu com as seguintes palavras na contracapa: «Sangue e Espada. Um romance de Gustaf Sjöholm. Esta obra do jovem e promissor escritor, cujo nome se tornou largamente conhecido e muito respeitado, etc… profundidade de caracterização… clareza… força. Recomendamo-lo vivamente ao público que aprecia romances.» O livro saiu a 3 de Abril. A 4 de Abril, foi alvo de uma recensão no jornal nacional de grande circulação, O Manto Cinzento, do qual Smith era proprietário de 50 acções. As últimas palavras da recensão foram: «Gustaf Sjöholm já ganhou nome por seu próprio mérito, por isso, não precisamos de o fazer por ele. Recomendamos esta obra não só a romancistas, mas também a leitores de romances.» A 5 de Abril, o livro foi alvo de publicidade em todos os jornais nacionais e repetiram-se as seguintes palavras no anúncio: «Gustaf Sjöholm já ganhou nome por seu próprio mérito, por isso, não precisamos de o fazer por ele (O Manto Cinzento)».
    Nessa mesma noite, surgiu uma recensão crítica n’ O Incorruptível, um jornal que ninguém lia. Aí, o livro foi descrito como o epítome do lixo literário, e o crítico jurou que Gustaf Sjöblom (erro deliberado do crítico) não tinha nome nenhum. Mas como ninguém lia O Incorruptível, a oposição continuou sem se fazer ouvir. Os outros jornais nacionais, que não queriam que as suas opiniões entrassem em conflito com as do estimado O Manto Cinzento, e receosas de enfurecer Smith, utilizaram termos brandos, embora não tenham passado disso. Acreditavam que Gustaf Sjöholm poderia perfeitamente, com tempo e esforço, chegar a criar nome por seu mérito.
    As coisas serenaram durante alguns dias, exceptuando o facto de todos os jornais conterem o anúncio – em negrito n’ O Incorruptível – já conhecido de «Gustaf Sjöholm já criou nome por seu próprio mérito.» E, depois, apareceu um artigo no jornal regional Miscelâneas de X-köping que lamentava o tratamento deplorável que os jovens autores recebiam na imprensa nacional.
    O colaborador exaltado concluía: «Gustaf Sjöholm é pura e simplesmente um génio, por muito que idiotas intelectualizados o neguem.»
    No dia seguinte, o anúncio voltou a aparecer em todos os jornais, desta vez declarando que «Gustaf Sjöholm já tem nome (O Manto Cinzento). Gustaf Sjöholm é um génio (Miscelâneas de X-köping)». O seguinte número da revista O Nosso País, publicada pela editora de Smith, continha o seguinte aviso na capa: «Temos o prazer de informar os nossos muitos leitores de que o muito respeitado escritor Gustaf Sjöholm nos prometeu um conto inédito para o nosso próximo número, etc.» Estes foram os anúncios nos jornais. Depois, no Natal, chegou o almanaque O Nosso Povo. Entre os autores que figuravam na página de título – Orvar Odd, Talis Qualis, etc., etc., encontrava-se Gustaf Sjöholm.
    Não havia dúvida: apenas oito meses depois, Gustaf Sjöholm tinha nome. E os leitores? Não tinham escolha e restava-lhes aceitar. Tinham somente de entrar numa livraria e ver o seu livro para terem de o ler. Não conseguiam pegar num jornal sem o verem anunciado. Chegava a ser impossível realizar actividades corriqueiras sem se depararem com o seu nome impresso: as donas de casa encontravam-no nos seus cestos de compras todos os sábados, as criadas transportavam-no da mercearia até casa, os varredores tiravam-no das ruas e os cavalheiros guardavam-no no bolso da sua camisa de noite.»
    Excerto de O Salão Vermelho, romance a publicar pela E-primatur em finais de Outubro de 2015.

  • por E-primatur
    Ago 05

    Bem-vindos

    Boas-vindas

    A E-primatur chegou.
    Somos um projecto diferente e pensado para quem realmente gosta de bons livros e boa literatura. Para nós é essencial contactar os leitores pois queremos que nos ajudem a construir este projecto. Gradualmente e ao longo do primeiro ano o leitor terá um papel crescente e efectivamente construtivo na E-primatur.
    Como somos um projecto inovador, gostaríamos de saber o que acham daquilo que nos propomos fazer.
    O sítio está ainda "em obras" mas o essencial já pode ser visto.
    Esperamos que gostem e que queiram construir esta editora connosco.

    Ao longo das próximas semanas vão aparecer várias novidades. Registem-se (no canto direito do Menu) e/ou subscrevam o nosso boletim (no rodapé do sítio)

    Obrigado!

Venha construir esta editora connosco