Diversos
André Gide (1869-1951)
Foi um dos escritores franceses mais importantes do século XX.
Nascido no seio de uma família francesa protestante, Gide cresceu e foi educado sobretudo na Normandia, num grande isolamento social. Desde cedo começou a escrever, tendo publicado o seu primeiro romance em 1891.
Numa viagem ao Norte de África, foi surpreendido por um mundo de liberdade que, dada a sua educação, nunca antes imaginara, acabando por admitir a sua atracção pelos corpos saudáveis de rapazes jovens.
Gide travou conhecimento com Oscar Wilde em Paris, em 1895. O autor de O Retrato de Dorian Gray julgou que lhe tinha revelado a sua homossexualidade, mas a avaliar pelos diários do escritor francês sabemos que nessa altura já tinha plena consciência da sua condição. O drama de Gide era, pois, a conciliação entre a sua rigorosa educação protestante com uma liberdade que sentia necessária para assumir a sua sexualidade.
Apesar de ser casado, Gide envolveu-se com um jovem e ambos fugiram para Inglaterra, o que lhe trouxe críticas tanto da França católica, como da França protestante. E se é certo que a sua obra é admirada e tem uma clara influência na formação de jovens escritores como Camus ou Sartre, sempre que Gide abordou a sua orientação sexual a crítica com afinidades católicas e protestantes não lhe deu tréguas.
Como tradutor, introduziu as obras de Joseph Conrad em França. A sua actividade de crítico e escritor foi contínua, mas acrescentou-lhe uma vertente de defesa dos Direitos Humanos da qual é pioneiro. Por um breve período foi simpatizante dos ideais comunistas, mas, convidado a visitar e a discursar na União Soviética, regressou desiludido com a censura dos seus discursos e o estado geral da cultura no país.
Em 1939 tornou-se o primeiro escritor vivo a ser incluído na famosa colecção Bibliothèque de La Pléiade. Em 1947, recebeu o Nobel de Literatura.
Morreu em 1951. Um ano depois, a Igreja Católica Romana colocou as suas obras no Index Prohibitorum.
A ficção de Gide e os seus escritos autobiográficos estão traduzidos em mais de 40 línguas e o Autor é hoje reconhecido não apenas pelo seu génio literário, mas também como uma das primeiras personalidades a assumirem a sua homossexualidade, discutindo abertamente a sua posição com a moralidade vigente.
Louis Pergaud (1882–1915)
Foi um escritor e professor francês, vencedor do Prémio Goncourt em 1910 pela colectânea De Goupil à Margot, composta por contos sobre animais com forte carga simbólica. É sobretudo lembrado pelo romance La Guerre des boutons (1912), sátira da rivalidade entre grupos de crianças em aldeias vizinhas. Pacifista assumido, morreu nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, vítima do mesmo conflito que denunciara na sua escrita.
Honoré de Balzac (1799–1850)
Foi um omancista e contista francês, é figura maior do realismo francês. Autor de A Comédia Humana (constituida por mais de 90 obras independentes), retratou a França pós-napoleónica — dinheiro, ambição, ascensão social — com personagens recorrentes. Estudou Direito, passou por jornalismo/edição, escreveu apesar de dívidas, casou com Ewelina Hańska e influenciou Flaubert, Zola e Proust.
Pierre Loti (1850–1923)
Pseudónimo de Julien Viaud, foi um oficial da Marinha francesa e um dos mais destacados escritores do exotismo finissecular, cuja obra literária se alimenta directamente das longas viagens que realizou pela Ásia, África e Médio Oriente ao serviço naval; autor de romances e narrativas de forte cunho autobiográfico, como Aziyadé, Pêcheur d’Islande, Madame Chrysanthème ou Ramuntcho, Loti cultivou uma escrita melancólica e sensorial, marcada pela nostalgia, pelo culto do efémero e por uma visão idealizada de culturas percebidas como ameaçadas pela modernidade ocidental, alcançando grande notoriedade internacional em vida e sendo eleito membro da Académie Française em 1891.